Quanto mais lia o diário de Jacques de Molay, mais o rapaz parecia absorvido por aquelas páginas enigmáticas, repletas de informações codificadas, pois os cavaleiros do Templo eram mestres nesta arte. Ainda assim, Michael tinha a esperança de que o grão-mestre revelasse, a qualquer momento e de forma clara, o local para onde haviam levado o tesouro. Alguns parágrafos abaixo, o seu desejo quase se tornou realidade, quando ele leu o seguinte trecho:
“Pouco antes daquele fatídico dia, eu soube que a intenção de Felipe, dito o belo, era se apoderar de todo o tesouro da Ordem para engordar os reais cofres que viviam à míngua, apesar dele extorquir ao extremo os seus infelizes súditos. Ao tomar conhecimento dessa torpe resolução, dei ordens para que o tesouro fosse conduzido durante a madrugada a um local seguro, localizado...”
Desgraçadamente, o texto da página seguinte não fazia o menor sentido lógico com o anterior. Michael interrompeu a leitura, tentando entender o motivo pelo qual Jacques de Molay mudara de assunto assim tão de repente e suspendera a pena no exato momento em que ia fazer aquela revelação crucial. O rapaz achava-se bastante decepcionado, quando seus olhos notaram algo impressionante. Embora as folhas do diário não estivessem numeradas, Michael observou que entre aquelas duas páginas, cujo texto se encontrava truncado, existiam junto à lombada fragmentos de papel rasgado. Ora, isto só poderia significar uma coisa: alguém arrancara dali a folha que explicava onde fora escondido o tesouro do Templo! E fizera isso de propósito, para manter o local escolhido no mais absoluto segredo.

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